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José Eduardo dos Santos manda banir canais SIC da plataforma DStv em Angola


A televisão portuguesa SIC disse no dia 5 do corrente mês  que é “totalmente alheia” ao facto de os canais SIC Notícias e SIC Internacional África terem deixado de ser transmitidos pela plataforma DStv em Angola tal como foram antes banidos pela Zap. A primeira depende do regime, a segunda é do regime. Tudo normal num reino em que a liberdade de informação só é permitida aos que bajulem o MPLA.

 

“A SIC é totalmente alheia à decisão da retirada destes dois canais”, disse fonte oficial da SIC, acrescentando que a transmissão dos dois canais se mantém em Moçambique através da DStv. Também na África do Sul a DStv continuará a exibir a SIC Internacional África.  O grupo de televisão português informou ainda que, em Angola, se mantém a transmissão dos restantes canais da SIC – SIC Mulher, SIC Radical, SIC Caras e SIC K. Ou seja, tudo quanto não se destine a revelar a verdade e a pôr os angolanos a pensar. Existe liberdade para mostrar a megalomania luxuriante do regime, mas é proibido mostrar que esse mesmo regime colocou Angola no top dos países mais corruptos do mundo, que tornou o país no líder mundial da mortalidade infantil, e quem tem 20 milhões de pobres.  Desde a meia-noite de hoje que a operadora de televisão por subscrição Multichoice, através da plataforma internacional DStv, deixou de transmitir os canais SIC Notícias e SIC Internacional África em Angola.  A empresa angolana não adiantou explicações para a decisão, referindo apenas que “lamenta pelos transtornos causados”, segundo a informação comunicada aos clientes na semana passada. Por outras palavras, limitou-se a cumprir “ordens superiores” de quem manda no país, ou seja, sua majestade o rei José Eduardo dos Santos.  Esta decisão da DStv é semelhante à tomada anteriormente pela Zap, outra das duas operadoras generalistas em Angola, que em 14 de Março interrompeu a difusão dos canais SIC Internacional e SIC Notícias nos mercados de Angola e Moçambique, o que aconteceu depois de o canal português ter divulgado o real estado de um país com 20 milões de pobres, dirigido por um regime corrupto e ditatorial.  A Multichoice África, que tem a plataforma DStv, fornece serviços de televisão pré-paga de canais digitais múltiplos contendo canais de África, América, China, Índia, Ásia e Europa, por satélite.  Já a Zap, que iniciou a sua actividade no mercado angolano em Abril de 2010, é actualmente a maior operadora de TV por satélite em Angola.  A operadora portuguesa NOS detém 30% da Zap, sendo o restante capital detido pela Sociedade de Investimentos e Participações, da multimilionária empresária angolana Isabel dos Santos, filha do Presidente da República (há 38 anos no poder sem nunca ter sido nominalmente eleito), Presidente do MPLA e Titular do Poder Executivo, José Eduardo dos Santos.  A maioria do capital da NOS é detido pela ZOPT, ‘holding’ detida pela Sonae e por Isabel dos Santos.  Recorde-se que a 17.11.2016, num trabalho investigativo intitulado “Angola, um país rico com 20 milhões de pobres”, a SIC apresentou na sua Grande Reportagem, uma Angola que tem um dos maiores consumos de champanhe per capita e onde 70% da população vive com menos de dois dólares por dia, realçando que na última década o país registou um dos maiores crescimentos económicos do mundo mas manteve-se líder nos índices de mortalidade infantil, uma semana depois de assinalar os 41 anos da independência.  Num trabalho da autoria do jornalista Pedro Coelho, com imagem de José Silva e Luís Pinto e edição de imagem de Rui Berton, a 3 de Março do ano em curso, a SIC Notícias transmitiu o terceiro e último episódio de um trabalho investigativo intitulado “Assalto ao Castelo”, também no seu programa Grande Reportagem, viajando até ao Dubai, numa filial do Banco Espírito Santo (BES) e expondo um mapa de um dos maiores escândalos financeiros que assolou Portugal e Angola.  “Temos a prova da ponte aérea que se estabeleceu entre membros influentes de Angola, alguns generais de José Eduardo dos Santos, e a filial do BES no Dubai – o ES Bankers Dubai. Durante dois anos circularam milhões de dólares entre Angola e o Dubai. Sabemos como e quando esse dinheiro circulou e onde foi parar”, reportou a SIC Notícias.

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